Lula vai à COP31 na Turquia
De 9 a 20 de novembro em Antália, com possível escala nas Filipinas. Viagem prevista, não confirmada. Fonte: Agência Brasil.
Por Simón Levy · Washington, D.C.Produto do jornal · Cursos Es PosibleO Google te ensina a usar a IA. Eu te ensino a ganhar dinheiro com ela.
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Sem embaixadores desde agosto, Brasília chamou a encarregada de negócios María Emilia Cortés. O chanceler Pablo Quirno negou qualquer pedido de explicações. Em 33 dias, a Argentina deve receber a presidência do Mercosul.
México em espanhol, Brasil e América Latina em português e Estados Unidos em inglês. Sem voz: dê o play e leia.
Baixar o reel ↓O problema, em poucas palavras.Um candidato derrotado à Presidência, com ordem para entregar os passaportes e investigado em um caso de lavagem de dinheiro, saiu do Brasil pela Argentina e chegou a Miami. O governo brasileiro quer saber se o governo vizinho ajudou. O governo vizinho diz que ninguém perguntou nada. As duas coisas não podem ser verdade ao mesmo tempo, e a resposta define como os dois maiores sócios do Mercosul vão trabalhar nos próximos meses.
A. O que aconteceu na quinta-feira.Segundo fontes do governo brasileiro ouvidas pela Reuters e publicadas pela Al Jazeera em 31 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores convocou na quinta-feira, 29 de outubro, a encarregada de negócios da Argentina, María Emilia Cortés, para responder perguntas sobre a viagem de Flávio Bolsonaro. É o canal que sobra: os dois países retiraram os seus embaixadores em agosto de 2026, e a encarregada é hoje a voz oficial de Buenos Aires em Brasília.
B. A resposta de Buenos Aires.O chanceler Pablo Quirno escreveu nas redes sociais, em maiúsculas, que é falso e que não houve nenhum pedido de explicações. Um porta-voz do presidente Javier Milei chamou a viagem de resgate e disse que Flávio escapou “das garras do comunismo”. Flávio, de Miami, agradeceu publicamente a Milei pela ajuda, sem detalhar qual.
C. O que os registros já mostram.Segundo a Al Jazeera, Flávio entrou na Argentina na noite de terça-feira, 27 de outubro, com a esposa e as duas filhas; atravessou o norte do país e embarcou em um avião fretado que fez escala no Equador antes de pousar no aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami, na quarta-feira, 28. A Direção Nacional de Migrações argentina confirmou a saída por Puerto Iguazú, segundo o Tiempo Argentino. Depois da eleição, a Justiça lhe havia dado prazo para entregar os passaportes e ordenado que permanecesse no país dentro de um processo.
O dado necessário.Flávio é investigado no inquérito do Banco Master por um pagamento milionário atribuído ao ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, para financiar um filme sobre o seu pai. Ele nega irregularidades e chama o caso de perseguição política. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, segundo o TSE, uma vantagem de 4.430.191 votos. Flávio não reconheceu a derrota e, de Miami, se declarou o “legítimo presidente eleito”, sem recurso de anulação protocolado no TSE até a noite de 30 de outubro, segundo os registros que o jornal consultou.
Os nomes.María Emilia Cortés, encarregada de negócios da Argentina no Brasil. Pablo Quirno, chanceler argentino. Javier Milei, presidente da Argentina. Flávio Bolsonaro, senador e candidato derrotado do PL. Alexandre de Moraes, ministro do STF, a quem Flávio acusa de perseguição. Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Todos mantêm a presunção de inocência.
A escada diplomática.Convocar um encarregado de negócios é o degrau mais baixo que resta quando não há embaixador. Os seguintes são públicos e conhecidos: nota de protesto formal, redução do pessoal da missão, declaração de persona non grata. Nenhum foi anunciado. O que o Itamaraty fez foi abrir um registro: a pergunta ficou feita por escrito e a negativa de Quirno também. Esse papel serve depois, em qualquer foro.
A agenda que vem.A Cúpula Ibero-Americana se reúne em Madri em 4 e 5 de novembro; a Secretaria-Geral Ibero-Americana espera mais de 14 presidentes e, segundo a imprensa espanhola, a presença de Milei segue em dúvida. Em 4 de dezembro, Montevidéu recebe a 69ª cúpula do Mercosul, que a Agência Brasil lista entre as viagens previstas de Lula. Em 14 de dezembro, o G20 se reúne em Doral, Miami, em um clube de Donald Trump.
Em 28 de outubro, ao Infobae, eu disse que Flávio Bolsonaro “está vivo graças à intercessão do presidente Milei”. Em 29 de outubro, a Eduardo Feinmann, disse que “não é uma fuga, é um resgate”.
Sobre quem pagou o voo, respondi que não posso dizer. Essa é a minha informação e a minha leitura; as autoridades do Brasil, da Argentina e dos Estados Unidos não a confirmaram.
A negativa de Quirno é sobre a forma, não sobre o fundo: diz que não houve pedido de explicações, não diz que o governo argentino não ajudou. O próprio porta-voz presidencial chamou a viagem de resgate. A diferença entre as duas frases é exatamente o que o Itamaraty perguntou.
O ponto de pressão real é o Mercosul. Uma presidência pro tempore argentina a partir de dezembro, com relações rompidas no nível de embaixadores, dá a Buenos Aires a agenda do bloco e a Brasília um motivo para travá-la.
O que falta.Não há registro público do contrato do voo fretado, do operador da aeronave nem do plano de voo pela escala no Equador. Também não há documento público que explique sob qual autorização Flávio entrou nos Estados Unidos. Sem esses papéis, a discussão entre Brasília e Buenos Aires é de versões.
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A crise com a Argentina e o calendário até janeiro.
Lula vence com 51,79% dos votos válidos, por 4.430.191 votos.
Flávio entra na Argentina na noite de terça, segundo Migrações.
Voo fretado com escala no Equador chega a Miami.
María Emilia Cortés é chamada; Quirno responde “FALSO”.
Madri. Presença de Milei em dúvida; Delcy confirmada.
Montevidéu. Pelo rodízio alfabético, a Argentina seria a próxima presidência.
Primeiro encontro possível entre Lula e Trump.
Prazo do TSE.
Início do quarto mandato.
1.020 MW de disponibilidade divididos por 2.800 MW de demanda dão 0,364. A afetação estimada, 1.810 MW, era maior que toda a eletricidade disponível.
Cálculo do jornal com dados da União Elétrica via Directorio Cubano (31 out 2026)As reservas do BCRA e o outubro do risco país.
O problema, em poucas palavras.A Argentina precisa de dólares para pagar a sua dívida e sustentar o câmbio. Os dólares do Banco Central caíram forte em um único dia, e o preço que os investidores cobram para emprestar ao país subiu quase um terço em um mês. Isso acontece um ano antes da eleição de 2027 e no meio de uma crise com o Brasil.
A. O estoque.As reservas brutas do BCRA fecharam a sexta-feira, 30 de outubro, em US$ 48.562 milhões, com queda de US$ 1.592 milhões no dia, segundo os dados do Banco Central recolhidos pelo boletim El Despertador. No mês, ainda sobem US$ 2.472 milhões; no ano, US$ 7.397 milhões. Na véspera, o BCRA tinha comprado US$ 96 milhões no mercado.
B. O preço do crédito.O risco país fechou em 787 pontos-base, segundo o Ámbito, com alta de 180 pontos em outubro, cerca de 30%, a maior subida mensal em mais de um ano. Os ADRs argentinos em Nova York caíram até 25% no mês, e o índice MSCI Merval recuou 6% em pesos e 7,8% em dólares.
C. A demanda das famílias.Segundo dados do BCRA publicados pelo El Destape, as pessoas físicas compraram US$ 3.410 milhões em setembro, depois de US$ 3.366 milhões em agosto e do pico de US$ 4.124 milhões em julho. No varejo, o dólar oficial do Banco Nación ficou em 1.560 pesos, o blue em 1.565, o MEP em 1.571,35 e o contado com liquidação em 1.670,22.
O dado de emprego.Segundo o INDEC, citado pelo Tiempo Argentino, o emprego público nacional caiu de 341.465 postos em dezembro de 2023 para 266.205 em setembro de 2026: 75.260 a menos, 22% do total. Só em setembro foram 2.199.
Os nomes.Javier Milei, presidente. Luis Caputo, ministro da Economia. Santiago Bausili, presidente do BCRA. No sábado, Milei inaugurou em Neuquén o auditório da Igreja Batista Jesus é Rei, de 4.000 lugares, com Karina Milei e Martín Menem, e disse que não se combate “o populismo com mais populismo”, segundo o Infobae. A igreja é do pastor Hugo Márquez, pai da senadora Nadia Márquez, que A Liberdade Avança avalia para o governo de Neuquén em 2027.
O comprador privado de dólares é o termômetro mais honesto: US$ 3.410 milhões em setembro é dinheiro que sai do sistema em pesos e não volta. Um governo que acumula reservas comprando no mercado e as perde no fim do mês está ganhando tempo, não estoque.
O salto de 180 pontos no risco país coincide com a crise com o Brasil e com a incerteza sobre a cúpula de Madri. Não há prova de causalidade; há coincidência de calendário.
O contexto da semana.Na mesma sexta-feira, o Decreto 1305/2026 adiou de novo a atualização do imposto sobre combustíveis, como publicou este jornal. É renúncia fiscal em um momento em que o mercado cobra mais para financiar o Tesouro.
O que falta.O BCRA não detalhou a composição da queda de US$ 1.592 milhões. O jornal não localizou no Boletim Oficial de 30 e 31 de outubro um decreto que a explique.
Delcy Rodríguez a caminho de Madri.
O problema, em poucas palavras.A Venezuela tem um governo encarregado depois da saída de Nicolás Maduro, promete eleições sem data e quer recuperar dinheiro e ouro no exterior. A sua chefe, Delcy Rodríguez, é sancionada pela União Europeia. Agora vai a uma cúpula na capital espanhola. O que a Espanha faz com essa visita diz muito sobre como a Europa vai tratar a transição.
A. A viagem.Segundo o ABC, republicado pela La Patilla em 31 de outubro, Delcy Rodríguez, presidenta encarregada da Venezuela, assistirá à XXX Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, em Madri, em 4 e 5 de novembro, com o chanceler Oliver Blanco. O convite partiu do governo da Espanha. O objetivo declarado é recuperar o ouro venezuelano depositado no Banco da Inglaterra desde 2019.
B. O novo chanceler.Oliver Blanco, de 35 anos, foi nomeado na quinta-feira, 29 de outubro, no lugar de Félix Plasencia, que ficou cerca de três meses no cargo e passa a diretor de Assuntos Internacionais da Presidência. Blanco militou na Ação Democrática, partido ligado a Henry Ramos Allup. Ao assumir, prometeu defender a soberania “com firmeza”. A equipe inclui Yuri Pimentel como primeiro vice-chanceler, Marynna Saatdjian para América do Norte e Europa e Saúl Ameliach no Comércio Internacional.
C. A sanção.O Conselho da União Europeia incluiu Delcy Rodríguez em junho de 2018 na lista de pessoas sujeitas a congelamento de bens e proibição de viagem dentro do regime de medidas restritivas sobre a Venezuela. Esse regime permite que um Estado membro autorize a entrada para conferências internacionais. Em janeiro de 2020, uma escala de Delcy no aeroporto de Barajas abriu uma crise política na Espanha.
O dado necessário.A Venezuela reclama 31 toneladas de ouro retidas no Banco da Inglaterra. A Finanzas Digital estimava o seu valor em cerca de US$ 2 bilhões em setembro, conforme publicou este jornal em 31 de outubro. A Secretaria-Geral Ibero-Americana espera mais de 14 presidentes na cúpula.
Os nomes.Delcy Rodríguez, presidenta encarregada. Oliver Blanco, chanceler. Félix Plasencia, ex-chanceler. Pedro Sánchez, presidente do governo espanhol e anfitrião. José Manuel Albares, ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, que anunciou as datas. Todos mantêm a presunção de inocência.
Ir a Madri com um chanceler vindo da oposição é a fotografia que Caracas quer: transição, interlocução, normalidade. A sanção europeia é o que estraga a foto. Se a Espanha concede a exceção sem condição pública, sinaliza aos outros 26 membros que a revisão das sanções está na mesa.
O pedido do ouro em solo europeu não muda a jurisdição: quem decide é a Justiça inglesa e o reconhecimento do governo pelo Reino Unido, não a cúpula.
Por que a Espanha.A Espanha abriga a maior comunidade venezuelana da Europa e é o país europeu com mais investimentos na Venezuela, a começar pela Repsol. O convite a Delcy faz parte do esforço de Madri para ocupar o lugar de mediador europeu na transição, um papel que Bruxelas ainda não definiu.
O que Caracas quer levar.Além do ouro, o governo encarregado tem pedido a revisão de ativos do Estado no exterior para vender ou devolver, segundo a edição de 30 de outubro deste jornal. Madri é a primeira vitrine multilateral desde a nomeação de Blanco.
O que falta.O governo espanhol não publicou se concedeu uma exceção formal à proibição de viagem nem sob qual artigo. A data das eleições venezuelanas continua sem número.
Cuba às escuras: os números da UNE.
O problema, em poucas palavras.Cuba não gera a eletricidade que consome. As usinas térmicas são velhas e quebram, o combustível é caro e escasso, e a rede vive em racionamento. Os números diários da União Elétrica mostram o tamanho do buraco.
A. A previsão.Segundo o boletim da União Elétrica (UNE) publicado pelo Directorio Cubano em 31 de outubro, a disponibilidade no horário de pico seria de 1.020 MW para uma demanda de 2.800 MW: um déficit de 1.780 MW e uma afetação estimada de 1.810 MW. A previsão contava com a entrada de 40 MW da usina Guiteras e 80 MW da unidade 6 de Nuevitas.
B. A manhã.Às 6h, a disponibilidade era de 900 MW para uma demanda de 2.343 MW, com 1.437 MW afetados. Para o meio-dia, a estimativa de afetação era de 1.550 MW. As limitações térmicas somavam 668 MW.
C. As usinas.Estavam em avaria as unidades Santa Cruz 1, Nuevitas 6, Felton 2 e Renté 6; em manutenção, Santa Cruz 3, Nuevitas 5 e Renté 5. Na véspera, 30 de outubro, a afetação máxima foi de 2.039 MW às 19h20, e os parques solares fotovoltaicos produziram 4.304 MWh, com máximo de 544 MW.
O dado necessário.1.020 dividido por 2.800 é 0,364. A ilha teria pouco mais de um terço da eletricidade que pedia no pico. A afetação estimada, 1.810 MW, é maior que toda a disponibilidade.
Os nomes.A União Elétrica, estatal, publica o boletim sem assinatura de funcionários. O Ministério de Energia e Minas é o responsável pelo setor. As usinas Antonio Guiteras, em Matanzas, e Felton, em Holguín, são as maiores do país.
O solar ganha de dia uma batalha que se perde à noite. Sem armazenamento, cada megawatt solar alivia o meio-dia e deixa intacto o pico das 19h, que é quando a UNE registra os maiores cortes.
Na mesma semana, o Panamá se ofereceu para sediar um diálogo entre Washington e Havana. Uma rede que entrega 36% da demanda é o argumento mais forte de qualquer negociação, e o mais urgente para o governo cubano.
O padrão de outubro.Os boletins diários da UNE ao longo do mês mostram afetações acima de 1.500 MW em quase todos os picos noturnos. A diferença entre a previsão e o resultado real costuma ser para pior: na véspera, a previsão era menor que os 2.039 MW que de fato faltaram às 19h20.
O efeito em cadeia.Sem eletricidade, falham o bombeamento de água, a refrigeração de alimentos e medicamentos e as comunicações. Os cortes longos empurram famílias inteiras para a emigração e pressionam os vizinhos do Caribe e da América Central, que recebem parte desse fluxo.
O tabuleiro diplomático.O Panamá ofereceu ser terreno neutro para conversas entre Washington e Havana, segundo o The Rio Times e o Latin Times, dois dias depois da votação anual na ONU contra o embargo, que caiu para 130 votos a favor, como publicou este jornal em 30 de outubro. A crise elétrica é o pano de fundo de qualquer conversa.
O que falta.A UNE não publica o custo do combustível importado nem a origem dos carregamentos. Não há dado oficial da quantidade de horas sem luz por província.
O G20 de Doral e a cadeira que Washington ainda não reconhece.
O problema, em poucas palavras.O presidente dos Estados Unidos questionou a eleição brasileira sem provas, e o candidato derrotado está na Flórida. O presidente reeleito do Brasil terá de sentar com ele em dezembro, em um clube de golfe de propriedade dele.
A. O que Trump disse.Segundo a Agência Brasil, na segunda-feira, 26 de outubro, Trump disse que a eleição “pareceu fraudada”, sem apresentar provas. Segundo a Al Jazeera, depois sugeriu que foi “rigged”, mas disse que não vai tomar partido. Trump já impôs sanções e tarifas por causa do processo contra Jair Bolsonaro, condenado e sentenciado a 27 anos.
B. A agenda de Lula.Segundo a Agência Brasil de 27 de outubro, Lula retoma as viagens em novembro: COP31 em Antália, na Turquia, de 9 a 20 de novembro, com possível escala nas Filipinas; a 69ª cúpula do Mercosul em Montevidéu em 4 de dezembro; e o G20 em 14 de dezembro no Trump National Doral, que seria o primeiro encontro entre os dois desde a eleição. A Secom diz que são viagens previstas; o Planalto diz que nenhuma está confirmada.
C. O calendário eleitoral.O TSE marcou a diplomação até 18 de dezembro e a posse em 5 de janeiro, como publicou este jornal. Pequim felicitou Lula em 48 horas; Washington e Buenos Aires seguem sem reconhecê-lo, segundo a edição de 30 de outubro.
O dado necessário.Entre o G20 e a diplomação há quatro dias. Entre a diplomação e a posse, dezoito. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos.
Os nomes.Donald Trump, presidente dos EUA. Marco Rubio, secretário de Estado. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente reeleito. Flávio Bolsonaro, em Miami. Todos mantêm a presunção de inocência.
Doral é um palco escolhido por Trump, não por Lula. Ir significa aceitar o encontro no terreno do anfitrião; não ir significa deixar a cadeira do Brasil vazia no G20 enquanto Flávio está a poucos quilômetros. Qualquer das duas decisões será lida em Brasília e em Buenos Aires.
O reconhecimento formal é a moeda de troca mais barata que Washington tem: não custa nada dá-lo e custa muito negá-lo.
O papel de Rubio.Marco Rubio negou ajuda direta dos Estados Unidos na saída de Flávio Bolsonaro, segundo relatos da imprensa brasileira, mas reportagens de 28 de outubro indicam que Flávio entrou no país com uma autorização humanitária de um ano. O Departamento de Estado não publicou o documento. Democratas no Congresso criticaram o tratamento, segundo o Times Brasil.
A China na mesma conta.Pequim felicitou Lula em 48 horas, e o vice-presidente chinês Han Zheng escreveu ao vice-presidente Geraldo Alckmin, como publicou este jornal em 30 de outubro. A diferença de tempo entre as duas potências é, ela mesma, uma mensagem para Brasília.
O que se joga em Doral.O Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina e um dos maiores mercados de exportação dos Estados Unidos na região. Um G20 em território de Trump, com Lula ainda não reconhecido por Washington e Flávio na mesma cidade, transforma uma cúpula multilateral em um encontro bilateral de alto risco.
O que falta.O Departamento de Estado não publicou uma declaração formal sobre o resultado do segundo turno brasileiro. O Planalto não confirmou a viagem a Doral.
Itamaraty contra Casa Rosada e o gabinete do quarto mandato.
O problema, em poucas palavras.Lula começa a montar o gabinete do quarto mandato. Um dos nomes que aparecem para a pasta mais sensível da economia, Minas e Energia, é o da ex-presidente que hoje comanda o banco de desenvolvimento dos BRICS. A decisão mexe com petróleo, eletricidade e a relação com a China.
A. A notícia.Segundo o Diário Carioca, que cita a newsletter Poder Drive, da Poder360, publicada às 23h de 31 de outubro, Dilma Rousseff manifestou interesse em voltar ao Brasil e integrar a equipe ministerial. O atual ministro, Alexandre Silveira, do PSD, quer continuar.
B. O histórico.Dilma foi ministra de Minas e Energia de 2003 a 2005, no primeiro governo Lula, antes de chefiar a Casa Civil. Hoje preside o Novo Banco de Desenvolvimento, criado pelos BRICS, com sede em Xangai.
C. O que não está decidido.Segundo a mesma reportagem, Lula não terminou de escolher a equipe, e nenhuma decisão é definitiva. O Planalto não comentou.
O dado necessário.A posse do quarto mandato é em 5 de janeiro de 2027, segundo o calendário do TSE. Até lá, os nomes do gabinete são especulação até o anúncio oficial.
Os nomes.Dilma Rousseff, presidente do NDB e ex-presidente da República. Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente reeleito.
A vaga no NDB seria uma negociação em si: o banco tem cinco sócios fundadores e o Brasil teria de propor um nome que mantenha a confiança de Pequim. Para Lula, é uma peça de política externa tanto quanto de energia.
Silveira representa o PSD na coalizão. Trocá-lo tem custo no Congresso, que em fevereiro elege os presidentes da Câmara e do Senado.
Por que a pasta importa.Minas e Energia controla a política de petróleo e gás, o setor elétrico, os leilões de transmissão e a relação com a Petrobras. Nesta semana, a Petrobras confirmou que discute preços sem decisão, com o diesel 116% abaixo da paridade de importação segundo a Abicom, como publicou este jornal em 31 de outubro. O próximo ministro herda essa conta.
O banco que ficaria vago.O Novo Banco de Desenvolvimento foi criado em 2014 pelos cinco BRICS fundadores e tem sede em Xangai. A presidência gira entre os sócios fundadores. Dilma assumiu em 2023 e foi reconduzida em 2025. Uma saída antecipada obrigaria o Brasil a indicar um substituto aceito pelos outros sócios, a começar pela China.
A disputa política.O PSD de Alexandre Silveira é peça da base de Lula no Congresso. Em fevereiro de 2027, Câmara e Senado elegem os seus presidentes, e a oposição, a partir de Miami, já pediu Rogério Marinho para o Senado. Cada cadeira do gabinete é também um voto nessa eleição.
O sinal para o mercado.Um nome com trajetória intervencionista no setor elétrico, como foi a redução das tarifas de 2012, seria lido pelos investidores de forma diferente de um ministro do PSD com interlocução no Congresso. As ações de elétricas e da Petrobras reagem a esse tipo de sinal antes de qualquer decreto.
O que falta.Não há declaração pública de Dilma Rousseff nem do Planalto sobre o assunto. A informação tem uma única fonte jornalística.
O que eu disse, quando eu disse, e o que aconteceu.
Prova: Flávio aterrissou em Opa-locka, Miami, e agradeceu publicamente a Javier Milei.
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De 9 a 20 de novembro em Antália, com possível escala nas Filipinas. Viagem prevista, não confirmada. Fonte: Agência Brasil.
O Ibovespa encerrou a sexta, 30, em 167.921,80 pontos e o dólar comercial em R$ 5,4443. Fonte: B3.
De 341.465 em dezembro de 2023 para 266.205 em setembro de 2026. Fonte: INDEC via Tiempo Argentino.
Com Karina Milei e Martín Menem, no Dia Nacional das Igrejas Evangélicas. Fonte: Infobae.
Passa a diretor de Assuntos Internacionais da Presidência. Fonte: ABC via La Patilla.
A costa-riquenha Rebeca Grynspan teve 11 votos de incentivo na sondagem informal do Conselho de Segurança; o argentino Rafael Grossi, 9. Fonte: resumo do El Despertador; sem ata oficial.
A oferta segue sem resposta de Washington. Fonte: The Rio Times e Latin Times.
Investigação aponta possível autoria norte-coreana. Fonte: resumo do El Despertador; sem confirmação oficial.
O artigo 12 do Tratado de Assunção diz que a presidência do Conselho do Mercado Comum gira entre os Estados Partes em ordem alfabética, por seis meses. Depois do Uruguai, que sedia a cúpula de 4 de dezembro em Montevidéu, a ordem volta à Argentina.
Se a regra for aplicada, em 33 dias o governo que o Itamaraty acaba de convocar pela saída de Flávio Bolsonaro conduzirá a agenda do bloco no primeiro semestre de 2027, incluindo a cúpula de meados do ano em território argentino, com Lula convidado a ir a Buenos Aires.
Os dois países estão sem embaixadores desde agosto. Nenhum veículo brasileiro ou argentino juntou as três datas: a convocação de 29 de outubro, a cúpula de 4 de dezembro e a presidência pro tempore que começa no mesmo dia. Cálculo do jornal.